Ministério da Saúde determinou a interrupção imediata da imunização em todo o país após monitoramento identificar 42 casos de reações graves

A vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan teve sua aplicação suspensa em todo o território nacional. O anúncio foi feito pelo governo federal nesta segunda-feira (8), depois que o sistema de farmacovigilância detectou 42 episódios de reações severas possivelmente associadas ao imunizante — incluindo duas mortes que ainda estão sendo investigadas.

500 mil doses aplicadas e milhares de notificações

Até 30 de maio, cerca de 500 mil doses da vacina haviam sido administradas no país. Profissionais de saúde foram o público-alvo da primeira fase de vacinação, iniciada no começo deste ano. Do total de vacinados, 3.703 pessoas relataram eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da própria dengue, o que representa 0,7% dos imunizados.

Desse universo de notificações, 42 pacientes exibiram sinais de alarme — dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. A proporção é de 0,008% do total de vacinados. Embora considerados muito raros, esses episódios não estavam previstos nos estudos clínicos da vacina nem constavam em sua bula.

Coletiva detalhou os números e a decisão

Em entrevista coletiva realizada às 14h41 (horário de Brasília), representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Butantan e do Ministério da Saúde explicaram os dados do monitoramento e justificaram a medida. Três dos 42 casos foram classificados como graves: dois resultaram em óbito e um terceiro — uma mulher de 39 anos — exigiu internação em UTI, mas a paciente se recuperou.

Ministro Alexandre Padilha fala sobre a investigação

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os óbitos, mas reconheceu que o cenário gerou um alerta sanitário importante.

“Nós tivemos 3 casos graves, desses 2 óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, não existe dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses 3 casos graves, mas é um sinal de alerta”, disse Padilha.

Do Contra Fatos

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