Um marco histórico para a saúde pública de Alagoinhas começou a ser escrito nesta segunda-feira, 25 de maio. Pela primeira vez, o Município passou a realizar cirurgias pediátricas de amigdalectomia com adenoidectomia (retirada das amígdalas e adenoide) no Centro de Cirurgias Eletivas Prefeito Judélio de Souza Carmo, localizado no Centro da cidade. Até então, crianças e adolescentes precisavam ser encaminhados para hospitais de referência em Salvador para conseguir o procedimento. Além da necessidade de deslocamento, enfrentavam longas filas e anos de espera.

Neste primeiro dia, mais de dez cirurgias estão sendo realizadas. Ao ampliar o acesso da população aos procedimentos otorrinolaringológicos pediátricos pelo SUS, a Prefeitura de Alagoinhas garante atendimento mais rápido e humanizado para crianças que sofrem com problemas respiratórios, infecções recorrentes e dificuldades no sono e na alimentação causadas pelo aumento das amígdalas e da adenoide.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Luciano Sérgio, a meta da Prefeitura é ampliar cada vez mais a oferta de cirurgias eletivas. “Para mim é uma felicidade muito grande, como secretário de Saúde, ao lado do prefeito, que é o mentor dessa iniciativa, poder me dedicar para que a gente possa ofertar mais cirurgias e zerar a demanda reprimida. E hoje estamos tratando de um público especial, dando prioridade absoluta para as nossas crianças e adolescentes”, ressaltou.

O secretário também destacou que a Prefeitura já trabalha para ampliar ainda mais a capacidade de atendimento do Centro de Cirurgias Eletivas e fortalecer o serviço na região. “A ideia é que a gente continue e potencialize. Já temos um credenciamento sendo preparado, com o objetivo de dobrar a quantidade de procedimentos cirúrgicos no nosso município e, quem sabe, em pouco tempo, dialogando com a nossa microrregião, fazer esse trabalho em parceria com outras 18 cidades”, enfatizou Luciano.

O prefeito de Alagoinhas, Gustavo Carmo, enfatizou a importância do novo serviço para o fortalecimento da saúde pública municipal. “Avançar no atendimento de saúde à criança é mais importante ainda porque a gente está cuidando desses pequenos. Ver nossas crianças felizes aqui, enche enche nossos corações de alegria, pois nós temos uma meta muito clara – queremos zerar todo o passivo de cirurgias eletivas em Alagoinhas até 2028. É uma meta audaciosa, mas eu tenho muita fé em Deus e acredito muito na capacidade do nosso trabalho e da equipe da Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou o prefeito.

Para ter acesso ao procedimento, os pacientes devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de casa, onde será feito o encaminhamento para triagem. O atendimento inclui consulta com o especialista e realização dos exames pré-operatórios pelo SUS, todos feitos no próprio Centro Cirúrgico.

De acordo com a coordenadora do Centro de Cirurgias Eletivas, Marluce Lima, a iniciativa vai trazer benefícios para as crianças e suas famílias. “São operações inéditas na rede pública de saúde de Alagoinhas. A iniciativa visa garantir mais qualidade de vida para as crianças e seus familiares, reduzir danos à saúde dos pacientes e diminuir o tempo de espera nas filas cirúrgicas do SUS”, reforçou.

A pequena Kemilly Vitória, de 6 anos, foi a primeira criança a passar pelo procedimento no município. A mãe, Gilcimara, contou que a filha sofria constantemente com crises de amidalite e dificuldades respiratórias. “A partir dos 3 anos, descobrimos que ela tinha amidalite. Ela roncava muito e respirava pela boca. Quando ficava com secreção na garganta, tinha dificuldade de respirar e dormir, além das febres muito altas. Hoje estou muito feliz em poder fazer a cirurgia dela. Graças a Deus, deu tudo certo”, relatou emocionada.

A otorrinolaringologista Maria Laiza explicou que a cirurgia é indicada para crianças que apresentam obstrução nasal constante, apneia do sono, infecções repetidas e uso frequente de antibióticos. “Quando as crianças convivem por muito tempo com sintomas como apneia, aquelas pausas na respiração durante o sono, além de inflamações frequentes, febre constante e necessidade de antibióticos quase todos os meses, é importante considerar o procedimento cirúrgico. São crianças que acabam tendo uma qualidade de vida bastante comprometida, e chega um momento em que a cirurgia se torna a melhor alternativa”, explicou.

A médica também alertou sobre os impactos causados pelas amígdalas e adenoides aumentadas durante a fase de crescimento infantil. “Com a dificuldade respiratória, a criança passa a respirar pela boca e isso interfere diretamente no desenvolvimento da mandíbula, da maxila e da dentição, causando problemas funcionais e até estéticos”, afirmou.

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