Através do trabalho constante da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) na área de saúde mental, a Prefeitura de Alagoinhas estruturou, como nova estratégia integrada de prevenção ao suicídio, a criação do Núcleo Intersetorial de Valorização da Vida (Nivavi), que trabalha com foco na ampliação e articulação de ações já existentes no campo da saúde mental no município, a partir de três eixos principais: prevenção, posvenção e monitoramento/acompanhamento dos pacientes na rede de saúde.


A iniciativa já se destaca como inovadora na macrorregião de Alagoinhas. A coordenadora, assistente social e idealizadora do Nivavi, Evelin Monique da Silva, explica que o núcleo articula com diversas áreas, como saúde, assistência social, educação e segurança pública. “Reforçando a compreensão de que a prevenção ao suicídio não é uma responsabilidade exclusiva da saúde, mas um tema que atravessa diferentes políticas públicas, a proposta é que esse grupo evolua para um comitê técnico permanente, responsável por planejar e executar ações conjuntas no município”, explica ela.


No que se refere ao monitoramento e acompanhamento de pacientes com histórico de tentativa de suicídio, o Nivavi tem realizado visitas domiciliares, promovendo os devidos encaminhamentos e atuando de forma articulada com a rede de atenção à saúde, fortalecendo o cuidado integral e intersetorial.


Outra medida em implementação é a articulação do Núcleo com os serviços de urgência e emergência, para garantir que nenhum paciente atendido após tentativa de suicídio deixe o sistema sem encaminhamento definido. De acordo com a coordenadora do projeto, a proposta é assegurar atendimento humanizado, com agendamento imediato e comunicação com a unidade de saúde do território, reduzindo riscos de reincidência. “Além disso, o município está fortalecendo a capacitação de profissionais da rede, com ações de educação voltadas à prevenção e manejo adequado dos casos”, ressalta Evelin.


Entre as estratégias empregadas pelo Nivavi, destaca-se a realização de ações contínuas ao longo do ano, rompendo com a lógica de concentração das iniciativas apenas durante o ‘Setembro Amarelo’, por exemplo. Já no mês de abril, será realizada uma oficina voltada a profissionais da imprensa, com foco na comunicação responsável sobre casos de suicídio. A iniciativa inclui a elaboração de um guia com orientações que deverá ser disponibilizado no site da Prefeitura.


Atuação constante


No eixo de prevenção, Alagoinhas já iniciou o acompanhamento direto de duas famílias impactadas por casos de suicídio, além de cerca de 15 pacientes em monitoramento após ocorrências. Nestes casos, a equipe realiza visitas domiciliares e monitora a evolução das famílias e pacientes assistidos. O trabalho também envolve encaminhamentos para outros serviços.


Evelin acrescenta que o Nivavi já atua em parceria com associações comunitárias e entidades representativas, fortalecendo o controle social e ampliando a capacidade de identificação de situações de risco nos territórios. “O Núcleo quer avançar na direção de formar novas parcerias com universidades e instituições de ensino, ampliando o alcance das ações preventivas e promovendo intervenções específicas nos territórios com maior incidência de casos”, destaca ela.


Segundo a coordenadora, o Nivavi não se configura como serviço assistencial de atendimento clínico direto. Sua atuação está centrada na articulação intersetorial, no monitoramento dos casos e no apoio técnico às equipes da rede. O acompanhamento dos usuários ocorre de forma compartilhada com os equipamentos de saúde mental, especialmente a Atenção Básica e os serviços especializados, respeitando as competências de cada ponto de atenção. Nesse sentido, o núcleo exerce função estratégica de coordenação do cuidado, contribuindo para a organização dos fluxos, qualificação das intervenções e garantia da continuidade assistencial, sem sobreposição de funções clínicas.


Observatório de dados


O Nivavi também conta com um observatório de dados que permitirá identificar perfis, territórios e grupos mais vulneráveis e, a partir dessas informações, desenvolver ações mais direcionadas à realidade local.

 

Fotos: Roberto Fonseca/Secom- Alagoinhas

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