Entre veios de madeira, marcas do tempo e silêncios talhados à mão, a Fundação Iraci Gama (Figam) recebe a exposição “Rezo”, do escultor Afonso Rezador. A mostra é mais do que um conjunto de esculturas, convertendo-se em um convite a enxergar o sagrado escondido nas formas brutas da natureza.
Aos 87 anos, o artista carrega mais de cinco décadas dedicadas à arte em madeira. “Eu sou Afonso Rezador. Rezo e faço arte”, diz, com simplicidade. Seu processo criativo nasce do encontro com o acaso, seja por meio de uma árvore arrancada pela trovoada ou da descoberta de um tronco esquecido, um pedaço de madeira descartado. “Você tem que criar a sua história. Depois da criação vem o movimento. Tem que namorar com a peça”, explica o artista.
Visitando o espaço, a atriz alagoense Crisley Cruz conta da emoção sentida, após ter contato com as obras de Afonso Rezador. “Fiquei muito emocionada com a pluralidade das formas e com a sensibilidade do trabalho dele. Cada símbolo parece carregar algo ligado à reza, à energia. É uma referência cultural para a cidade”, enaltece.
A iniciativa faz parte das ações do Consultório de Artes Visuais, promovido pela Figam, sendo um espaço dedicado tanto à orientação de novos talentos quanto ao reconhecimento de artistas veteranos. A exposição integra uma das metas do termo de fomento firmado entre a Prefeitura de Alagoinhas e a entidade, que prevê ações de valorização de artistas da comunidade.
A presidente da Fundação, a professora Iraci Gama, destaca que o objetivo da curadoria vai além do simples ato de promover uma exposição. “Não é apenas mostrar a obra. É criar condições para projetar o artista, ajudá-lo a ser conhecido, a vender suas peças e a compreender esse novo tempo de divulgação”, pontua Iraci, elogiando ainda o trabalho do escultor. “Quando alguém leva uma peça, não está levando só madeira, mas sim o sentimento, energia, harmonização”.
Agenda
A exposição “Rezo” fica aberta ao público até o final de março. De segunda a quarta, das 14h às 18h; e de quinta a sexta, das 8h às 13h.




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